segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

ALENTEJO PROFUNDO



Em cima da mesa:
  • Bíblia
  • Meditações
  • Livro infantil, que prometi ler para motivar o H. a ler livros de autores diferentes de Enid Blyton
  • Garrafa de água, comprada na Padaria Portuguesa. (porque terá sido comprada na Padaria? lol ... realmente o pacote de açúcar da Padaria mudou... lol lol)
  • Relógio, comprado no Coronel Tapiocca. Há anos que fecharam essas lojas em Portugal e eu ainda tenho o relógio a funcionar. Gosto de estimar as minhas coisas, tratá-las com carinho, para que permaneçam para sempre com aspeto de novas. (para velha basto eu lol lol)
  • Auricular guardado na caixa, com o fio bem enroladinho, como se tivesse saido da loja naquele momento, lol
  • Molho de chaves
  • Chave do carro
Aqui estão as minhas relíquias, em cima da mesa.

Aqui estou eu no meu alentejo profundo. Num local deserto encostado a uma barragem.
Não se ouve ninguém. Quando paro de respirar o silêncio é aterrador. Por vezes ouve-se um avião a passar.
O aquecimento ligado dá um ar acolhedor aos meus, não sei bem, talvez 6 metros quadrados, mas de útil devo ter uns 2, se tanto, um pouco mais que o espaço que tenho atualmente no emprego. Se puxar a cadeira para trás ao mesmo tempo da minha "vizinha", bato nas costas dela.

Enfim... as maravilhas do tempo moderno, em que se sai do emprego mais tarde, ganha-se menos e as empresas têm menos lucros.

Mas sabe bem, descanso, este silêncio é um bálsamo para a minha saúde mental. Dá-me energia e repouso para aguentar com mais umas semanas de
            barulho, confusão, atropelo, gritaria, pressa, azáfama, ...

Recordo agora o passeio de kayak que fiz esta tarde :)
Os bandos de patos que assustei ... e voaram.
Tão bonitos ... eram pretos com o papo branco, de um branco fluorescente, que fazia uma paisagem linda no céu.

Recordo a garça real que voou 3 vezes à minha frente, tentando arranjar um local onde eu não estivesse por perto. Coitada ... acabou por "raciocinar" lol que o melhor era atravessar a barragem para a outra margem.

Mas as pedras e os paus que saem fora de água dão um toque mágico à minha paisagem.
Lá ao fundo paro e contemplo a natureza.
Que beleza, que perfeição, que paz, ficava ali eternamente ... mas o sol põe-se. Tiro umas fotos ... belas fotos, com a luminosidade que mais gosto.
No caminho de regresso avisto uma raposa morta na margem. Que bonito rabo ... lol

Saio quentinha do meu kayak, embora seja 26 de Dezembro no hemisfério norte, e esteja um frio ... e um ventinho ... O meu gorro e o meu saiote de kayak protegeram-me, bem como, o impermeável fininho que só uso para este efeito, pois não quebra os movimentos, para poder remar livremente.

Aqui estou eu a descansar ...
a descansar do mundo!