segunda-feira, 6 de junho de 2016

SEM ABRIGO

Todos os dias que vou trabalhar passo por um conjunto de gente sem abrigo.
Quando regresso do emprego lá estão eles no mesmo local.
Quando chego tarde a casa vejo-os a jantar. Vão as instituições de solidariedade levar-lhes comida.

Todos eles têm poucos pertences, muitos sacos ... sacos de alças grandes e difíceis de transportar. Poucos pertences sim, quando comparados  com a tralha toda que guardamos em casa, estantes e mais estantes, móveis e mais móveis, tudo cheio...
Já vi um deles a transportar a suas coisas num carrinho de Continente.

Mas certo dia reparei num homem que transportava as suas coisas numa mochila de trekking. Também tinha um saco cama e uma placa térmica.
Achei-o inteligente.
Estava a usar o meio de transporte mais portátil e confortável.
A placa térmica isola do frio que vem do chão.
Vi-o por algumas semanas e depois desapereceu ... talvez por ser inteligente tenha ativado o plano B da sua vida ... ou talvez por usar mochila tenha mudado para uma zona melhor.

Mas hoje estava lá no sítio deles um velhote sozinho, com muitos sacos, e sacos cheios, pouco tranportáveis. O velhote tinha o olhar parado não sei bem onde. Lembrei-me como uma mochila lhe daria jeito.

Aquela gente tem todo o Tempo do mundo, mas não são felizes.

As pessoas que passam apressadas para o emprego não têm Tempo ... têm que trabalhar para pagar o seu abrigo,

mas igualmente àquela gente sem abrigo,
também "não têm um sorriso no rosto"